As principais lideranças do DEM estão de saída do partido para participar da fundação do PSD, entre elas o atual governador Raimundo Colombo. Do jeito que está deviam apenas mudar o nome de DEM para PSD, quase do mesmo jeito que foi de PFL para DEM.
Mas o fato é que muita gente sente-se traída nesta história toda. E não são só os eleitores do DEM que votaram no partido porque ele representava oposição ao governo federal. Membros de outras siglas também estão com o mesmo sentimento.
O prefeito de Imbituba, Beto Martins (PSDB), por exemplo, lamentava sobre qual explicação iria dar para os eleitores e que pela segunda vez estava levando bola nas costas. Em 2006, pediu votos para Djalma Berger que depois deixou o PSDB para entrar no PSB. Em 2010 pediu votos para Jorginho Melo que agora pode seguir para o PSD. Em conversa com a deputada federal Carmen Zanotto (PPS) pediu para que ela resistisse aos convites e que iria valer a pena continuar e manter a aliança com o PSDB, da qual o DEM também faz parte. Carmem disse que fica no partido, nem que seja para apagar a luz.
Entre as lideranças que decidiram mudar de partido a missão agora é garantir a adesão de prefeitos e vereadores. O secretário regional de Laguna, Christiano Oliveira já decidiu que segue para o PSD. Ele deve liderar o processo naquela região. Já conversou com o prefeito de Imaruí Amarildo Souza que ficou de conversar com a base de apoio, mas também deve aderir ao novo partido. Seguem também os vice-prefeitos de Imbituba, Garopaba, Paulo Lopes e vereadores.
A outra prefeita do Democratas da região, Leonete Back de São Martinho, será procurada pelo deputado estadual José Nei Ascari. O deputado, inclusive, teve um encontro ontem com demistas da região de Araranguá. Lá são dois prefeitos e quatro vice-prefeitos do partido. Sentiu que a adesão será grande. Ascari também conversou com lideranças do partido em Criciúma, Içara, Forquilhinha, Urussanga e Orleans.
Em Tubarão, o grupo do vereador Jairo Cascaes já havia decidido na semana passada que seguiria os passos do governador Raimundo Colombo. Portanto o PSD já nasce na cidade com uma cadeira na Câmara de Vereadores.
A troca de siglas é um direito que as pessoas têm e que está sendo exercido a partir de uma brecha existente na legislação. Para fugir da infidelidade partidária fundam um novo partido agora e lá na frente ainda poderão fazer uma fusão, dando novamente liberdade para um troca-troca.
Tem jeito para acabar com esta situação? Tem, mas é difícil que ele apareça. A forma de acabar com este circo e com o total enfraquecimento dos partidos políticos é acabar com as coligações. Sem elas, por exemplo, o PSD terá nas eleições de 2012 um tempo muito pequeno em rádio e televisão. Mas como ninguém acredita que esta decisão seja tomada, o novo partido já tem até aliado definido para a próxima campanha eleitoral, o PSB, que vai lhe garantir a visibilidade.
E fica mais difícil ainda de acreditar no fim das coligações porque são os próprios parlamentares que decidem o que entre e o que não entra na reforma política. Alguém espera que eles decidam contra algo que os favorece?