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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Picolé tem ética?

Uma ação realizada pela Associação Empresarial de Imbituba (Acim) parece uma campanha simples, mas revela uma informação importante: se puder levar um produto para poder pagar depois, 18% ficam inadimplentes. Esse número foi constatado na segunda edição da campanha Pegue e Pague de Picolés, isso mesmo, picolés.

A atividade se constituiu no oferecimento de picolés em quatro pontos da cidade (duas escolas e dois outros pontos comerciais). Não havia alguém para cuidar da venda, o consumidor pegava o picolé e pagava se quisesse. No total foram vendidas 372 unidades e 70 não foram pagas. O índice de 18% foi o mesmo registrado na campanha de 2016.

O resultado nos leva a refletir sobre o comportamento ético das pessoas comuns em tempos em que vivemos reclamando da classe política. Mesmo o picolé sendo um item barato, as pessoas deixaram de pagar por ele somente porque não havia alguém cuidando. Se fosse um item mais caro, a inadimplência seria ainda maior? Se as pessoas soubessem que havia uma câmera de segurança, por exemplo, agiriam da mesma forma?

Nós precisamos nos lembrar que o político de hoje envolvido em alguma irregularidade era um cidadão comum antes de ser eleito. Será que o desvio de comportamento dele só começou depois que venceu uma eleição?

Um real ou um milhão
Isso me fez lembrar de uma situação vivida no período em que residi no Canadá. Na época, os jornais eram vendidos em caixas posicionadas nas calçadas. Quem quisesse, depositava moedas que liberavam a abertura da caixa e aí se pegava um exemplar. Mas, detalhe, quando a caixa abria, se tinha acesso a todos os jornais que estavam lá dentro, e mesmo assim as pessoas pegavam somente pelo que pagavam. Por isso, temos que nos lembrar que o comportamento ético está desde as pequenas coisas, como um picolé ou um jornal, pois deixar de pagar um real ou um milhão é mesma coisa. Ou não é?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

É preciso mais que transparência

A Lei da Transparência, discutida nas últimas semanas, deve tornar público os salários dos funcionários públicos. Até onde vai o direito de privacidade neste caso?

Alguns juristas alegam até inconstitucionalidade. A Lei 12 mil 527 trata do acesso a muitas informações e por isso é importante, mas neste caso dos salários, somente divulgar números não é o suficiente para dar transparência ao assunto.

Primeiro, será que um funcionário público concursado, que já teve o salário informado no ato de inscrição do concurso não deve ser diferenciado de um funcionário que ocupa cargo de confiança, que foi nomeado para tal, o chamado comissionado?

E ao saber dos ganhos, é não seria importante também nos casos de valores exorbitantes, discutir os aspectos morais de certos cargos, suas mordomias, qualificação ou não para tal nomeação e a distância entre o trabalhador comum?

E ainda um aspecto que também vai além do salário de um servidor público. São freqüentes os casos em que um funcionário foi aprovado em concurso para uma função que não exigia qualificação e depois acaba sendo nomeado para um cargo superior e salário bem maior. Há casos até em que a nomeação serve apenas para melhorar a aposentadoria de tal servidor.

O acesso as estas informações será realmente muito importante se os dados forem utilizados para corrigir as desigualdades e irregularidades. Se não for assim, não será nada mais do que ´jogar para a torcida´.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Falta de punição incentiva a corrupção

Qual a forma de combater a corrupção no Brasil? Falta de punição aos envolvidos e a lentidão da justiça são causas do problema? Acompanhe o que diz o jornalista e professor, Laudelino José Sardá

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os palhaços e os ladrões

O protesto do prefeito de Capivari de Baixo, Luiz Carlos Brunel Alves (PMDB), noticiado entre ontem e hoje, simbolizou um sentimento que todos os sul catarinenses vem sentido em relação a BR-101.

O pior é que nariz de palhaço serve para outros assuntos. A lista é grande, pois vivemos uma falta de respeito sem limites.

A BR-101 é apenas um dos assuntos em que a população está fazendo papel de palhaço. Neste caso, por exemplo, foi divulgado na semana passada que e as obras do Ministério dos Transportes apresentaram irregularidades de quase R$ 700 milhões. Dinheiro suficiente para fazer a Ponte de Cabeçudas.

E a gente fica impressionado como esse país não quebra. É desvio de dinheiro para todos os lados e o país não quebra. É abuso demais. Os parlamentares, por exemplo, custam em média mais de R$ 10 milhões por ano aos cofres públicos. São 513 deputados federais e 81 senadores. Faça a conta: 513 mais 81 são 594, vezes 10 milhões, vai dar quase R$ 6 bilhões por ano. Isso sem contar, governadores, deputados estaduais, prefeitos, vices, e vereadores. Não quero nem saber para não ficar mais triste ou apavorado.

Só neste caso, quantas escolas poderiam ser melhoradas? Quanto este investimento poderia ser refletido em pessoas mais saudáveis e produtivas? Além de dinheiro sendo jogado fora, também estamos vendo um grande potencial de desenvolvimento indo pelo ralo.

A lista de barbaridades não é pequena e nem cabe toda aqui. Mas vamos a mais um exemplo: as aposentadorias da assembléia legislativa. De 193 processos analisados pela junta médica do Estado, mais de metade apresenta suspeita de irregularidades e pasmem, 13 estão aptos a voltar ao trabalho!

Estamos vivendo num país onde parece que só não rouba quem não teve oportunidade. Os rombos aos cofres públicos são cometidos em todos os escalões. Do miúdo ao mais graúdo.

As pessoas de bem, que são a maioria, precisam se levantar contra esta minoria sem escrúpulos. Antes que eles finalmente consigam quebrar a nação.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Os bons se afastam, os lobos tomam conta

O presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina anunciou uma revisão geral de todos os servidores da casa. Será feito um recadastramento geral. Esta decisão só veio depois que se soube que estava sendo feita uma reportagem sobre o assunto. Aí o presidente Gelson Merísio tentou se antecipar ao escândalo e anunciou a medida.

Mas o fato é que alguns dos 1600 funcionários da Alesc, simplesmente não comparecem ao trabalho. Alguns deles até tiveram a cara de pau de dar entrevista à RBS TV e dizer que trabalhavam sim. Um deles em Chapecó, outro em Jaraguá do Sul e mais um em Governador Celso Ramos e que deveriam estar em Florianópolis. Outros alí bem pertinho, no centro ou arredores da capital.

Entre eles, empresário, engenheiro, advogado, dentista e ex-deputada. Pessoas com carreiras e profissões que poderiam lhe garantir uma vida digna e muito melhor do que a grande maioria dos catarinenses. Mas é claro, se aproveitaram de um jeitinho e arrumaram uma boquinha para ter uma renda a mais e pavimentar a aposentadoria.

Um deles chegou a dizer que presta um favor a um dos deputados e que o salário de três mil e quatrocentos reais não vai fazer diferença na vida dele. Mas que favor é esse que custa três mil e quatrocentos reais? Se fosse favor deveria ser de graça não é mesmo?

No mesmo fim de semana, outras reportagens em revistas nacionais envolveram outras figuras graduadas da política catarinense. O que só colabora com a tese de que o sistema está apodrecido e pouca gente escapa das negociatas que envolvem o setor público.

Isso, é claro, só contribuiu também para afastar da política as pessoas de bem e que não querem se envolver com esta sujeira toda. E enquanto os que têm moral, ética e honestidade tentam viver suas vidas longe deste sistema desacreditado, os espertos, imorais e desonestos tomam conta. Eles desviam recursos, embolsam propinas, mensalões, mensalinhos, ocupam vagas como fantasmas e nada acontece. Nada. Criam uma lei chamada de Ficha Limpa, mas que não vale nada para quem tem a Ficha Suja.

Confira a reportagem da RBS TV

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Normas para burlar

As relações entre as atividades do setor público e privado sempre foram bem tênues. Alguns dos escândalos ocorrem por causa disso, e um dos últimos exemplos envolveu o ex-ministro Antonio Palocci (PT). Tramita na Câmara projeto de resolução, proposto pela bancada do PSOL, para incluir no Código de Ética da Câmara dispositivo que proíbe parlamentares de prestar consultoria remunerada enquanto estiverem no exercício do mandato. Se aprovado, o deslize passaria a ser falta de decoro parlamentar. Bom mesmo seria se não caísse no rol de normas burladas pelos parlamentares. Por Lei, eles também não podem ser donos de emissoras de rádio e TV, mas sempre dão um jeitinho.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Chantagem e estelionato

Estudos do Tribunal de Justiça podem indicar o fechamento de comarcas pelo estado. Esta ameaça absurda tem relação com a greve dos professores, que acabou em Tubarão, mas continua no Estado

A informação publicada na coluna de Roberto Azevedo, do Diário Catarinense de hoje pode ser interpretada por alguns como uma chantagem. Por quê? Diante de toda a polêmica da utilização dos recursos do Fundeb dentro da base de cálculo do repasse para os poderes judiciário e legislativo, vem a notícia de que o Tribunal de Justiça pode reduzir as atividades se receber menos recursos.

Há 10 anos, o TJ recebia 6% da receita líquida disponível e hoje recebe o repasse de 7,7%. Com a greve dos professores a fonte dos recursos e não a porcentagem passou a ser questionada. Mas aí vem a possibilidade em tom de ameaça de que se diminuírem os recursos, a morosidade da justiça pode aumentar.

Porque então, ao invés de propor um retrocesso desses não se discute os aumentos salariais do legislativo e judiciário, que geralmente são bem maiores do que aqueles dados aos trabalhadores comuns? Será que todo servidor público, sem nenhuma distinção de cargo ou função não deveria receber os mesmos índices de aumentos que são dados aos profissionais de outras categorias? Ou seja, reposição das perdas da inflação e no máximo 1% de ganho real.

Seria sem dúvida uma forma de conter gastos e permitir a sobra de recursos para investimentos e ampliação dos serviços prestados ao cidadão, que já paga por educação de qualidade, mas não recebe, paga por serviços de saúde, mas tem que aguardamos até anos em filas de espera, paga para ter segurança, mas vive com medo de sair de casa, paga para ter estradas, mas tem que dirigir por desvios e buracos.

Bom, vou parar por aqui, porque esta lista pode ser interminável e aí nós vamos perceber que além de sermos chantageados, também somos vítimas de estelionato.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Nem sempre se faz só amigos

Os membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores que apresentaram o relatório sobre a investigação do uso indevido das diárias do vereador Geraldo Pereira (PMDB), o Jarrão. e uma funcionária da casa passaram a bola pra frente. Indicaram que houve irregularidade, mas pediram que o departamento jurídico indique se houve ou não quebra do decoro parlamentar.

Foi uma transferência de responsabilidade, apesar da justificativa de garantir um respaldo legal na decisão. A maioria dos casos de perda de mandato, pelo Brasil afora, ocorreu de forma política, sem nenhuma parecer jurídico. Por que a necessidade disso agora?

Está claro que os vereadores não gostariam de ser os responsáveis pela cassação de um colega. Ninguém quer fazer um inimigo, mas esquecem que na política, nem sempre se faz amigos.

E arrisco escrever que agir com ética e coerência, muitas vezes, rende até admiração dos adversários.

Leia mais...
Conclusão do relatório: Jarrão cursou apenas 6
de 20 horas previstas

Só devolver o dinheiro é suficiente?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Uma lista restrita para 2010

Sobrevivemos a mais um ano e vamos, como sempre, entrar em 2010 confiantes que ele vai ser melhor que 2009. É comum nesta época avaliarmos o que passou. Quem se deu bem, quem se deu mal. Quem se destacou de forma positiva, de forma negativa. Enfim, dá mesmo para fazer um relatório.

Mas de nada vale relatar os erros e acertos de 2009 se eles não servirem de aprendizado para 2010. Vai ser um ano de eleições, então quem sabe os próprios eleitores não riscam do mapa aqueles que deixaram a desejar. Será que é preciso esperar pela justiça para que se cassem os mandatos, se punam infratores, se pague pelo escândalos?

O eleitor pode fazer isso sozinho, sem esperar pelos outros.

Mas para isso é preciso memória, é preciso discernimento, é preciso participação e comprometimento.

Lembre daqueles que melhoraram a escola do seu filho, que garantiram atendimento na saúde, que investiram na infraestrutura do seu bairro, que possibilitaram você se sentir mais seguro em casa, sem medo da criminalidade, que souberam usar os recursos públicos e principalmente, que não tiveram o nome envolvido em escândalos e investigações.

Você pode pensar que assim vai ficar difícil e é capaz de não sobrar ninguém. Mas o objetivo é esse mesmo. Ficar com uma lista de poucos nomes. Mas confiáveis!

Não podemos entrar em 2010 falando de problemas antigos, vamos cobrar e torcer para que os velhos se resolvam e que tenhamos outros assuntos novos para discutir. Sempre vamos ter algo para reivindicar, isso é normal. É assim que segue a vida, vamos sempre em busca de algo melhor, de crescimento, de evolução. E evoluir, pra mim é isso, aprender com os erros do passado para que eles não se repitam no futuro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Jornal fala de seus problemas também

Você alguma vez já se questionou sobre a credibilidade dos nossos jornais? Pois tome este exemplo para pensar sobre isso.

O jornal americano The Boston Globe tem 137 anos e está à beira da falência. Em 2008 o prejuízo foi de US 50 milhões e para 2009 a projeção é de US 85 milhões. Entre os motivos estão a perda de anunciantes para a Internet e também a crise do país.

Diante do problema a empresa que administra o jornal tenta reduzir custos e entre eles estão os cursos trabalhistas. Hoje termina o prazo de negociação com os quatro principais sindicatos e que podem significar cortes de US 20 milhões.

A manchete da edição de hoje é: "Agree or else, Globe tell unions", em portugês é algo do tipo ‘ou concorda ou vamos fechar’, assim mesmo em tom de ameaça! A reportagem sobre o assunto mostra o ponto de vista da empresa e dos sindicatos, que reclama do tom ameaçador das negociações.

Já pensou nisso por aqui?

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