A adoção de cotas em nossa sociedade sempre gera polêmica e discussão, mas hoje vou voltar a falar das cotas de candidatas mulheres nas eleições. A reserva de vagas para elas tem sido colocada em prática desde as eleições municipais de 1996, mas dezesseis anos e oito votações depois o resultado ainda tem sido muito fraco.
Temos uma presidente mulher, é verdade, a primeira de nossa historia, mas na Câmara dos Deputados elas são menos de 10% dos 513 membros. No Senado são seis mulheres entre 81 senadores. Nas Assembleias Legislativas Estaduais e Câmaras de Vereadores é quase a mesma coisa e pouco mais de 10% das vagas.
E nestas eleições de 2012 há perspectiva para mudança do cenário? Na Amurel temos apenas 4 candidatas a prefeitas. Em 18 municípios, somente uma exerce o cargo e disputa a reeleição. Entre os candidatos a vereador o número é bem maior, mas os partidos em geral tiveram dificuldades para preencher a cota de 1/3. Isso significa que muitas delas têm pouquíssimas chances reais de se elegerem. Foram escolhidas pelo sexo e não pela viabilidade eleitoral. Tubarão, por exemplo, não tem uma vereadora titular há duas legislaturas, desde quando foi reduzido o número de vagas de 17 para 10. Agora em 2012 como o retorno das 17 cadeiras, existe a expectativa de nova presença feminina.
Escrevo sobre isso, não para sugerir o voto feminino, mas para promover uma reflexão sobre a situação. Se você lembrar do que escrevi ontem, que foi questionar por que temos tantos candidatos, pode perguntar também por que entre eles há tão poucas mulheres? O que as afasta do processo político? Não seria também o desinteresse por fazer parte de uma classe tão desmoralizada?
Com o tempo isso deve mudar, é inevitável, mas também com mais mulheres e jovens envolvidos no processo esperamos que haja renovação de ideias e no modo de agir. Se não for dessa maneira, de nada adiantam as cotas.
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