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quinta-feira, 22 de março de 2012

Lembrar o que não pode ser esquecido

Será realizado amanhã (23/3) em Tubarão mais uma edição do Seminário sobre enchentes e desastres naturais. O evento sempre coincide com o aniversário da enchente de 1974, que será lembrado no sábado, dia 24/3.

Muitos devem se perguntar o motivo de ficar lembrando a passagem de uma tragédia como a vivida há 38 anos. Mas não esquecer é parte importante de um processo para evitar que ela se repita nas mesmas proporções.

Se não há como evitar que ocorra a combinação de eventos naturais que causaram a tragédia, precisamos trabalhar em ações que diminuam os seus efeitos.

A redragagem do Rio Tubarão, por exemplo, não ocorre há 29 anos, cinco meses e três dias. São quase três décadas de espera e de contar com a sorte para que nada de ruim nos aconteça.

Mais triste ainda é saber que em 1978, ou seja, há 34 anos, já haviam também outros projetos para ações integradas e que ajudariam na prevenção de novas cheias. Um deles é a construção de duas barragens: uma em Pedras Grandes e outra em Braço do Norte.

Os documentos relativos a estes projetos estão encaixotados e empoeirados no Departamento Nacional de Obras de Saneamento, o DNOS, em Brasília. E basta um pedido para que eles sejam repassados para a prefeitura de Tubarão que poderá revê-los e até reaproveitá-los com os devidos ajustes.

O Seminário de amanhã é anual e ajuda a relembrar da situação, mas é necessária uma mobilização coletiva e permanente para que este descaso acabe.

Cerca de R$ 90 milhões já foram previstos no Orçamento da União para as obras de redragagem, mas os cortes já chegam a R$ 60 milhões. Sem projetos e sem pressão, os R$ 30 milhões que sobraram não significam nada. Aliás, significam sim. Representam mais uma vez um atestado de incompetência dos gestores públicos que não conseguem atuar e resolver problemas que se arrastam por décadas. Contam com a sorte e ajuda dos santos para que nada de ruim volte a acontecer.

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