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sexta-feira, 27 de maio de 2011

A indignação virou apatia?

Texto do jornalista Adelor Lessa, publicado no jornal A Tribuna, expressa muito bem o momento atual que vivemos em nossa sociedade. Parece que nos acostumamos e acomodamos com as coisas ruins. Transcrevo o texto abaixo e gostaria de ler outras opiniões sobre o assunto


"Onde foi parar a disposição de se indignar do cidadão comum pagador de impostos?


Tenho usado uma "pauta" para alimentar discussões, na informalidade, até para tentar entender. É uma discussão de política. É o que costumo "batizar" como um "certo estado de letargia" que parece ter contaminado a sociedade. Ou de "anestesia coletiva".


Não se vê mais aquela indignação necessária diante de falcatruas, denúncias, escândalos e situações absurdas, que antes produziriam manifestações iradas.
E não se trata de uma questão local, coisa de Criciúma, ou do Sul catarinense. Nem do estado. É do país.


Em alguns momentos, dá a impressão até que estamos voltando ao tempo em que valia a tese do "rouba, mas faz".


Nesta semana, quando falei sobre isso na rádio Som Maior, recebi de um ouvinte o seguinte e-mail:


"O grande problema é que a grande imprensa nunca faturou tanto com publicidade com um Governo como vem faturando com o atual. Porque quem chama o povo pra rua é a mídia nacional. Ou não é?".


É de pensar a respeito!


Mas não esquecendo que as maiores manifestações de rua da história, desde a ditadura militar, não estouraram com apoio da grande mídia nacional. A campanha das Diretas Já é um exem-plo. A mídia só passou a dar informações do movimento quando uma multidão parou São Paulo no memorável comício na Praça da Sé.


Sendo assim, o e-mail pode ter apenas registrado uma opinião de quem trabalha a ideia, e até pode ser inconscientemente, de sempre passar a bola. A culpa é do "vizinho".


De um empresário do centro de Criciúma, ouvi ontem no Café do Rubinho outra explicação:


"Está assim porque as pessoas estão vendo que os grandes escândalos não dão em nada. Se este político está envolvido em falcatrua, o outro também esteve e não aconteceu com ele, e se ele sair, o outro que virá também vai fazer igual, ou pior, e nada vai acontecer".


Tudo o que ele disse pode ser resumido numa palavra: "impunidade".


Parece-me mais próximo do real.


De qualquer forma, sendo por causa disso ou daquilo, o importante é que não se pode perder a disposição de reagir, e de se indignar. Não faz bem nem para quem está errando."

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