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terça-feira, 15 de março de 2011

Acabar com o tabagismo é acabar com os fumageiros?

Duas consultas públicas abertas pela Anvisa propõem a proibição de aditivos na fabricação dos cigarros, restrições na exposição e publicidade e proibição de pesquisas de mercado de cigarros. Agricultores do setor fumageiro estão preocupados com o futuro da atividade. As medidas podem refletir na redução do consumo de cigarros e por consequência prejudicar quem depende do setor.

Situação bem complicada e uma verdadeira encruzilhada

Muito se fala em quanto o cigarro é prejudicial à saúde das pessoas. Por trás desta indústria estão milhares de outras pessoas que dependem dela para sobreviver. São os agricultores que plantam o fumo e trabalhadores da indústria. Que lado tomar nesta hora?

Hoje o governador Raimundo Colombo trata do tema na Anvisa em Brasília. Ontem na Assembleia Legislativa de Santa Catarina foi realizada uma audiência pública para tratar do assunto. Mais de 20 deputados estaduais e outros tantos federais estiveram lá para apoiar os agricultores.

De acordo com números apresentados na audiência, só em Santa Catarina são 57 mil produtores nesta atividade. Nos três estados do Sul a produção rendeu mais de 8 bilhões de reais em impostos em 2010. É claro que muita gente quer ficar do lado deles nesta hora difícil.

Na mesma audiência se informou que 47% dos pacientes do Cepon tiveram câncer em decorrência do fumo. O Cepon é principal centro de tratamento de câncer em Santa Catarina. As vítimas desta doença, muitas vezes acabam ficando no anonimato, e quem fica do lado delas nesta hora difícil?

As medidas contra os fumantes e por conseqüência contra a indústria do fumo e quem sobrevive delas vem sendo tomadas há muitos anos. Para que esta jornada, que é também uma tentativa de salvar vidas, ganhe mais aliados e não seja vista como uma vilã são necessárias outras medidas. Entre elas dar um novo rumo para quem precisa deixar a atividade.

O debate em torno do assunto é uma grande oportunidade para que os agricultores recebam apoio e incentivo para continuarem no campo em outra cultura que seja rentável e que garanta a eles, e aos consumidores, saúde e qualidade de vida.

Um dos encaminhamentos tirados da audiência pública de ontem é que seja criado um fundo de fomento para viabilizar alternativas de atividade aos produtores, composto por 50% da arrecadação de impostos do tabaco. Seria ao mesmo tempo um investimento no setor produtivo e uma economia nos gastos com saúde.

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Agricultores querem suspensão das consultas públicas da Anvisa sobre fumo

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